Já entendeu a importância de se amar, quer começar a praticar o Amor Próprio, mas não tem ideia de como começar? Foi por isso que eu criei este breve Manual de Instruções.

 

Não é estranho que tantas pessoas esperem do outro um amor que nem elas mesmas podem (ou sabem) se dar?

 

Uma das lições mais difíceis que aprendi nessa vida foi que não posso controlar as ações, emoções e pensamentos dos outros, só posso controlar as minhas. Entendi também que ninguém conhece minhas necessidades, meus pensamentos genuínos, meus medos e sentimentos melhor do que eu e o mesmo tempo que dedico esperando reconhecimento, amor e atenção do outro, é um tempo que eu poderia estar praticando e aprendendo como me amar, me acolher e, principalmente, me entender.

 

E foi por entender que só posso controlar a forma como eu me trato – e não como os outros me tratam – que entendi a importância de me amar e cuidar bem de mim. 

 

Acontece que existe uma diferença bem grande entre entender a importância de se amar e se amar de fato. Uma coisa é ler aquela frase motivacional do Instagram dizendo “Ame-se”, outra é e se amar na prática mesmo, no dia a dia, com o corpo, as emoções e a rotina que a gente tem.

 

Enquanto se fala cada vez mais em Amor Próprio, mais ouço mulheres falando daquela vozinha na cabeça dizendo “como me amar?”, “como me sentir confortável sendo quem sou?, “como amar esse corpo que eu odeio, critico e rejeito?” e tantas outras. A gente só quer descobrir um jeito de parar de nos odiar – um jeito que realmente funcione e vá além dos clichês de “ame-se!”.

 

Foi daí que nasceu esse breve Manual de Instruções com um jeito acessível, tangível e tranquilo de iniciar a jornada de Amor Próprio e Autoaceitação.

 

Para isso, vou usar o conceito que o autor Gary Chapman descreve em seu livro As 5 Linguagens do Amor – O segredo do amor duradouro. Nele, o autor conta que existem 5 tipos de “linguagens do amor” – ou jeitos de comunicar o amor a alguém – e que cada um de nós precisa descobrir qual é a melhor forma de dar e receber amor para que possamos manter relacionamentos saudáveis. Eu li o livro há muitos anos e foi essencial para entender um pouco do amor e do que nos faz sentir amadas. Hoje vamos usar os mesmos conceitos do livro na nossa relação com nós mesmas.

 

No livro, o autor explica que todas nós expressamos e recebemos amor através dessas 5 linguagens. Cada uma de nós tem mais afinidade/preferência com uma ou duas dessas linguagens. Sabe quando você tem a impressão que se doa muito mas que não é reconhecida? Ou simplesmente não se sente amada apesar de todo esforço que seu parceiro faz pra te agradar? Claro que podem haver outras razões, mas possivelmente quando um desses cenários acontece é porque vocês não falam a mesma linguagem de amor. 

 

1. CUIDE DAS SUAS PALAVRAS: USE AFIRMAÇÕES POSITIVAS 

 

Em um relacionamento amoroso, essas afirmações podem ser desde bilhetinhos escritos “eu te amo”, “você é importante pra mim” até lembrar de dizer ao outro o quanto você o admira por tais e tais razões.

 

Como podemos traduzir essa realidade para nosso relacionamento com nós mesmas? Da mesma forma! Diga a si mesma coisas boas.


Eu sei que muita gente já deve ter te falado para fazer isso antes e sei que, apesar de simples, é algo bem difícil de fazer.

 

Quando falamos de fazer afirmações positivas/elogios/declarações, é importante perceber que elas tem muito mais sentido quando são mais específicas. Imagina só como é muito mais impactante ouvir de um parceiro, em vez de “você é bonita”, que “aquele sinalzinho de nascença no seu ombro direito é super charmoso”. Entende a lógica? Pois é, fale com você dessa forma.

 

Quando ainda fazia dieta e tinha uma relação muito difícil com meu corpo, eu tinha muita facilidade em ver defeitos e apontar tudo que eu via de errado nele – basicamente tudo! Eu me criticava, sentia raiva, concluía que a única forma de mudar isso era emagrecendo e logo me distraía pensando em outra coisa, já que eu “tinha que esperar” o emagrecimento pra “resolver meu problema”.

 

No processo de autoconhecimento e reconexão com meu corpo, percebi que não dava mais pra fugir de mim. Eu já tinha determinado que não ia passar a vida me odiando e tentando “me consertar” e comecei gradativamente a encarar meu corpo (minhas emoções e pensamentos) de frente. Sem fugir, sem esperar de outras pessoas, sem contar com as fantasias que eu acreditava em relação ao emagrecimento – e que nunca chegavam!

 

Num desses dias, parei na frente do espelho e comecei a apontar, da cabeça aos pés, as coisas que eu gostava em mim.

 

Eu comecei com os pontos mais fáceis: “gosto do meu cabelo porque ele é fácil de arrumar e fica bem de vários jeitos (eu já tive cabelo loiro, preto, roxo, vermelho, multicolor, curto, curtíssimo, longo, com megahair, etc…)”.

“Gosto do meu sorriso porque ele me deixa mais iluminada”.

“Gosto dos meus seios e me acho super feminina”.

“Gosto das minhas pernas porque me acho forte e ágil”.

“Eu gosto das minhas mãos porque elas ficam lindas quando pinto as unhas”.

“Gosto dos meus braços porque me fazem lembrar brincadeiras com meu irmão”. 

“Gosto da minha cintura e essa sempre foi uma das partes do meu corpo que mais gostava”.

E muito mais.

 

Ao final disso tudo, eu estava sorrindo e feliz. Meu coração estava mais leve e fui dormir – pelo menos por essa noite – a salvo de pensamentos negativos e angustiantes.

 

Depois desse exercício, eu percebi que era possível me sentir bem com meu corpo e, como eu sempre digo para minhas alunas, depois que a gente sente, ninguém tira isso da gente.

 

Pode ser que no atual momento você ainda não consiga tão facilmente nomear partes ou aspectos do seu corpo que você gosta – especialmente aspectos físicos – e tá tudo bem. Em vez disso, você pode tentar fazer um exercício de gratidão, agradecendo seu corpo pelo que ele fez por você durante o dia. Por exemplo: “eu sou grata às minhas costas por ter aguentado o peso que eu carreguei hoje de manhã”. “Sou grata aos meus pés por terem me equilibrado e me levado ao cinema”. “Sou grata aos meus cílios por não terem deixado nenhum cisco entrar no meu olho hoje”.

 

Tudo bem começar pelas coisas pequenas.

 

Se você preferir escrever a falar consigo mesma, experimente escrever bilhetinhos às partes do seu corpo que você mais gosta e às que você tem mais dificuldade também. Os resultados são surpreendentes! Não importa a forma, o importante é que você comece hoje mesmo a dizer coisas legais para o seu corpo.

 

 

2. OBSERVE SUAS ATITUDES: SEJA GENTIL E AMOROSA 

Em um relacionamento amoroso essas atitudes se traduzem em ajudar a pessoa que você ama de alguma forma: se oferecendo pra fazer o jantar, para revisar algum trabalho ou texto, ajudando a consertar algo que quebrou ou coisas do tipo. É fazer qualquer coisa para reconhecer que a vida é difícil, que de vez em quando precisamos de uma mãozinha e que você está por perto.

Recentemente, vi meu cunhado e minha irmã trabalhando juntos em alguns ajustes antes da mudança para a casa nova. Era aquele tipo de coisa bem chatinha de fazer, mas que economizaria uma grana. Eu elogiei e minha irmã respondeu “somos um time”. Achei tão bonitinho e ficou claro que sozinhos eles não teriam conseguido. Precisavam (da atitude e disposição) um do outro.

 

E você já deve ter lido/ouvido isso: atitudes falam muito mais do que palavras.

E isso também vale para nosso corpo. Às vezes, você precisa demonstrar para seu corpo que se importa com ele. Uma forma de fazer isso é cuidando da alimentação. Não porque você “não pode” comer algo, mas porque sabe que aquela pode não ser a melhor escolha. Esta é uma forma de ser gentil e amorosa com seu corpo.

 

O fato é que muitas de nós que temos ou tivemos problemas com nosso corpo nos desconectamos dele de tal forma que esquecemos de reconhecer e respeitar sua própria sabedoria interna. Passamos tanto tempo ouvindo recomendações externas e negligenciando as necessidades do nosso corpo que começamos a achar que sabemos mais do que ele mesmo. Mas ele – o nosso corpo – tá sempre ali, falando baixinho pra nós do que ele precisa. A única coisa que precisamos fazer é prestar mais atenção e reaprender a atender os seus chamados.

 

Por exemplo: seu corpo sabe exatamente o que ele precisa comer (eu juro!). De alguma forma nós nos convencemos – graças à indústria de dietas – que conseguimos controlar nosso corpo. Mas a verdade é que nossos corpos sabem se regular sem a nossa ajuda.

 

Reaprenda a prestar atenção à voz do seu corpo falando com você. Você ignorou essa voz por tanto tempo que no início não vai ser algo tão fácil mesmo – eu até gostaria de poder te dizer o contrário! –  mas insista. Dê a ele permissão para falar com você e ele vai falar.

 

Seu corpo sabe o que é melhor pra você, quais tipos de alimento precisa, ele sinaliza sede, medo, tristeza, cansaço. Pode ser que ir à academia esteja na sua lista de tarefas de hoje, mas se o seu corpo está te sugerindo que ele precisa dar uma pausa nos treinos exaustivos e fazer algo mais leve, chances são que ele saiba o que está dizendo. Você pode sim, deixar de ir à academia uma vez ou outra sem sentir culpa e vergonha. Lembre-se que nenhuma dessas escolhas é mais “saudável” ou “certa” do que outra.
Faça ao seu corpo mais atos de gentileza. Da próxima vez que ele te pedir algo, atenda.

 

 

3. DEMONSTRE SEU AMOR: DÊ PRESENTES  

Eu nunca fui boa em presentear, admito. Mas conheço pessoas que gostam de pensar, imaginar e escolher um presente como forma de demonstrar que lembraram de alguém ou para dar como lembrança. Presentear é uma das linguagens do amor.

 

E, claro, podemos começar a fazer esse tipo de demonstração de afeto pelos nossos corpos também.

 

Pense: o que eu posso fazer ou comprar para o meu corpo que fará eu me sentir bem?

 

Quando a gente sai da mentalidade de dietas e para de acreditar que 0-único-jeit0-possível de ser bonita é emagrecendo, começa a ver outras qualidades físicas e psicológicas que não tinham espaço antes. Aí, começamos a explorar outras formas de gostarmos de nós mesmas e da nossa aparência através do jeito de se vestir, maquiagem, cuidando mais do cabelo, da pele, das unhas, do humor, autoconfiança, realizações, etc.

Quando você expressa seu amor pelo seu corpo através desta linguagem, você pode se presentear com maquiagem, sabonetes, espumas, cremes, xampus, roupas e até mesmo cursos de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal. Qualquer coisa que faça você se sentir mais você.

 

Em relação aos cremes, acredite: separar um tempo para se reconectar com seu corpo nu é um ato poderosíssimo e revolucionário, principalmente quando estamos nos recuperando de um relação corporal conturbada. É encarar de frente – e com amor – tudo aquilo do qual você fugiu por tanto tempo. Então faça isso – pode ser desde uma esfoliação corporal com sal ou açúcar até uma loção ou um hidratante legal. Muitos desses produtos pode, inclusive, ser feitos em casa com coisas que – adivinha! – você já tem na cozinha.

 

Manicure. Pedicure. Massagens. Limpeza de pele. Tratamentos corporais. Ou até mesmo o simples ato de colocar uma roupa de cama limpinha e cheirosa ou se enrolar num cobertor fofinho. Seja num SPA ou na sua casa, esses são alguns exemplos de presentinhos que você pode dar ao seu corpo.

 

Pense nisso como uma forma de agradecer e reconhecer as coisas incríveis que seu corpo fez e faz por você, e também uma forma de pedir desculpas pelas vezes em que você não retribuiu.

 

 

4. HABITE SEU CORPO: DEDIQUE TEMPO DE QUALIDADE 

É quando dedicamos um tempo exclusivo, ainda que pequeno, sem interrupções para alguém que amamos. Mais do que dividir o mesmo espaço ao mesmo tempo, Gary Chapman fala no seu livro da necessidade de passar com o parceiro um tempo memorável, fazendo coisas significativas. Ele diz, por exemplo, que ficar sentados no sofá vendo TV ou ficar lado a lado estando no celular não é considerado tempo de qualidade, mas que planejar ou fazer uma viagem juntos, fazer atividade física juntos, cozinhar, jantar (sem ficar o tempo todo conectado no celular), representam tempo de qualidade.

Tempo de Qualidade é se dedicar a uma atividade que estabelece uma ligação, fortalece um vínculo e cria novas memórias.

 

Pergunte a si mesma: Quais atividades você pode praticar para conectar seu eu físico, com seu eu espiritual e emocional?

 

Pode ser yoga, meditações – guiadas ou não -, uma caminhada em meio à natureza, um banho de piscina, mar ou cachoeira, praticar um esporte, ler um bom livro, ir ao cinema assistir um filme que você escolheu ou qualquer outra atividade que de fato funcione pra você.

 

Para mudar a relação mental que temos com nossos corpos, precisamos dar aos dois – nosso corpo e nossa mente – um tempo para que eles se conheçam melhor.

 

Eu costumo dizer para minhas alunas que estão aprendendo a Alimentação Consciente e Intuitiva que elas vão sentir a mudança na medida que praticarem os novos aprendizados. E isso quer dizer tempo e dedicação ao corpo e alimentação. Não adianta dizer “estou na (= conheço a) Alimentação Consciente e Intuitiva há 1 ano”, mas sim pratico a Alimentação Consciente todos os dias”.

 

5. CONHEÇA SEU CORPO: TOQUE-O FISICAMENTE 

Algumas pessoas sentem mais necessidade do toque físico que outras. Nos relacionamentos o contato físico inclui sensações sexuais e as não tão explícitas assim como beijar, fazer carinho, andar de mãos dadas, abraçar, passar a mão no cabelo… E na nossa busca por reconexão com nosso corpo, precisamos buscar formas de experimentar o toque físico de uma forma prazerosa e saudável.


Pode ser qualquer coisa que faça com que você se sinta bem fisicamente e mentalmente ao mesmo tempo – porque depois de tanto julgamento e privação, você merece voltar a sentir isso.

 

O que eu acontece é que:

1. Não fomos ensinadas a fazer isso;

2. Não vemos outras pessoas fazendo isso;

3. Não falamos sobre isso;

4. A repressão sexual nos fez achar que nosso corpo é errado – ou que deveria ser diferente do que é;

 

É essencial para amar seu próprio corpo e ter uma relação mais íntima e próxima com ele, que você comece a buscar mais estímulos sensuais, relativo aos sentidos mesmo. Acariciando sua pele, tomando banhos quentes (ou frios), sentindo a água tocando seu corpo, você pode acariciar seu próprio braço, pode massagear seus ombros, costas, pernas, barriga, pode sentir sua mão escorregando enquanto toma banho e, claro, pode ser se masturbando também. Simplesmente sinta seu corpo. Nós passamos muito tempo achando que somos apenas cabeças ambulantes que carregam “um corpo gordo”, um corpo “que dá trabalho”, um corpo “rebelde que não faz nossa vontade” que é emagrecer. Mas nosso corpo é muito mais do que isso.

 

Começar o processo de amar seu corpo é algo que só você pode fazer por você.

 

Em toda relação, é necessário que aprendamos a mostrar e sentir o amor. Do contrário nos sentiremos gritando no deserto, com uma sensação enlouquecedora de desconexão e sem entender de fato como tornar o amor algo palpável. É ainda mais difícil quando não sabemos como fazer, e esses passos são um começo para voltarmos a amar nosso corpo.

 

Nossa relação com nosso próprio corpo é a mais íntima que temos. Nem seu relacionamento com seus pais, irmãos, companheiros e filhos é mais longa e próxima do que sua relação com seu corpo. E pelo menos por isso, ela merece amor e atenção.

 

 

Para saber os próximos passos, Clique Aqui.

 

PS: quando eu disse no começo do texto que não podemos esperar amor dos outros, não quero dizer que não devemos confiar nos nossos pais, parceiros, irmãos, familiares e amigos. Claaaaro que devemos nutrir relacionamentos com troca e significado e devemos estar abertas para dar e receber amor. O que eu estou dizendo aqui é que nossa vida e nosso relacionamento com nós mesmas muda muito quando nós somos nossa fonte primária de amor, atenção e reconhecimento.

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