Que bom que esse título chamou sua atenção e você caiu aqui, e não em um texto maluco prometendo uma cura quântica por hipnose, coaching de emagrecimento ou alta performance.

Torre de Babel da dor

Eu acho que é uma parada meio Torre de Babel.

aquela parábola que explica como a humanidade deixou de falar uma só língua e passou a falar idiomas diferentes, sabe?!

Quando ninguém entende sua língua, você:

1. acha que tem alguma coisa errada com você;
2. trava;
3. tenta;
4. cansa;
5. desiste de falar;

Acho que com o idioma da dor é assim também.

Quando ninguém entende o que te angustia, o que te dá medo, quando criticam o que é sagrado pra você, quando acham bobeira o que mais te diverte ou o que mais te mobiliza, você começa a achar que o problema é você.

"quando ninguém te entende,
você acha que tem algo errado com você"

Em 1999, eu fiz 1 ano de intercâmbio na Alemanha. Eu tinha feito alguns meses de aulas particulares de alemão e, chegando lá, eu só sabia o mínimo e não era possível manter uma conversa. Isso é constrangedor e irritante!

Estudei, aprendi não só alemão, mas francês e inglês também. Na volta, passei a dar aulas de idiomas e ouvia muitas histórias de pessoas que já tinham viajado para o exterior e sentiram DESESPERO por não conseguirem se comunicar.

Falar a mesma língua - seja o mesmo idioma - ou qualquer outra mesma linguagem é uma necessidade humana básica.

Postei esta semana no Instagram que naufraguei legal este ano. Sem nem falar em questões políticas, econômicas e sociais, foi um um dos anos mais confusos da minha vida.

Lembro que 2013 também tinha sido um capítulo escuro e eu achava que não voltaria mais pra lá (oi, arrogância! tudo bem? como vai a sra?) e, de repente PUM, cadê o sentido das coisas? Por quê? Pra quê? Que que eu faço agora? Como mudo isso aqui? E aquilo lá? Afundei. Voltei. Afoguei. Voltei.

 Várias vezes. 

E quando eu estava lá, afundada, eu não via saída, eu achava que ninguém entendia minha dor, que ninguém falava minha língua e essa é uma das piores sensações do mundo. Isso é depressão pra mim: me sentir errada, não aceita, não compreendida. não amada como sou.

Pra piorar, a primeira coisa que faço quando estou assim é me fechar:

O louco é que a gente acha que existe um jeito certo de viver e até um jeito certo de sofrer. Eu não tenho dúvidas de que esse ano eu passei mais tempo resistindo a algumas coisas - e isso me fazia sofrer - do que de fato lidando com elas. Mas não tem. 

"a gente acha que existe um jeito certo de sofrer"

O que me motivou a escrever esse texto e falar da torre-de-babel-da-dor é que recentemente vivi experiências incrivelmente deliciosas de me sentir ouvida, compreendida e totalmente aceita. E isso, infelizmente, é raro pra todo mundo. 

Sei disso porque vivo e porque diariamente vejo minhas alunas engolindo com comida as palavras que elas preferem não dizer por não se abrirem por medo de serem julgadas, mal-compreendidas ou rejeitadas.

"engolimos com comida as palavras que preferimos
não dizer por medo do julgamento e da rejeição"

Uma coisa que nos falta é aprender a lidar com a diversidade, com o novo e aceitar de uma vez por todas que não existe "o padrão", a-fórmula-mágica-que-dá-certo-pra-todo-mundo.

Uma vez que a gente aceita isso, a gente passa a entender que existem perfis e grupos diferentes. Grupos que falam a mesma língua.

isso devia ser ensinado na escola

Tipo, querida Lígia de 7 anos de idade: você é de um jeito e seus milhões de coleguinhas de mundo são diferentes. Mas tá tudo bem, ainda bem que é assim. Seria chatíssimo todo mundo pensando igual, fazendo igual, falando das mesmas coisas, buscando os mesmos objetivos, tendo as mesmas metas.O bom disso é que vocês vão podem trocar, entende?! Lembre-se que o que um pensa ou sabe não é certo ou errado. Só é diferente. Ouça, não tente combater ou rejeitar. Básico, eu sei

mas o certo é todo mundo ser loira, magra, do cabelo liso, barriga chapada e nariz fino-arrebitado

Isso me lembra o tema do meu trabalho e o que mais falo nesse blog...

Nós vivemos em uma sociedade que prega justamente o contrário. Não sabemos lidar com as diferenças, combatemos e rejeitamos o que não se encaixa no tal "padrão". Dá pra falar sobre racismo, feminismo, meritocracia, homofobia e muitas outras coisas, mas vamos ficar nas minhas especialidades: padrões de beleza, busca obsessiva pelo emagrecimento e psicologia da alimentação.

Em algum momento da sua vida (por mais que você não se lembre) você estava lá, numa boa sendo você e, de repente, decidiu ter um corpo diferente do seu, mais magro, mais sarado, mais "bonito". Aí você:

1. achou que tem alguma coisa errada com o seu corpo;
2. começou a fazer dietas;
3. tentou;
4. cansou;
5. anos depois e algumas dezenas de dietas depois, já não sabe mais o que fazer, quem você é, o que você gosta de comer;

PUFT, de novo!

cadê você na sua vida?

Quando vejo essas blogueiras dizendo: "comer é bom, mas já experimentou entrar em uma calça 36?", tenho vontade de responder: "emagrecer é bom, mas você já experimentou ser você e se sentir realmente compreendida e aceita como você é?"

Não precisa deixar de buscar o emagrecimento, mas enquanto a aparência for mais importante do que nossa saúde mental, não teremos nada: nem a magreza, nem satisfação, nem paz, nem sucesso, muito menos saúde.

Nossos valores estão confusos, nossas buscas estão invertidas. Do mesmo jeito que eu naufraguei esse ano e me fechei, muitas mulheres COMEM EMOCIONALMENTE quando se perdem ou quando precisam de algum apoio, quando estão cansadas, tristes, irritadas, ansiosas, amedrontadas, inseguras, perdidas...

A linguagem das mulheres que comem emocionalmente é a comida. É um relacionamento sério com a comida. A comida entende, a comida acalma, a comida não retruca.

Eu espero que este texto faça você se sentir compreendida e abraçada. Mas espero que ele não faça você se conformar e parar por aqui. Seu destino não é este: comer emocionalmente e ter um relacionamento estável com a comida.

Eu disse tudo isso pra você entender que talvez eu, você e milhares de mulheres temos uma linguagem em comum e, através dela podemos nos comunicar, entender necessidades parecidas e MUDAR. Não se conformar.

A linguagem da comida é uma linguagem de mulheres que são fortes por fora, mas extremamente amorosas por dentro. Que precisaram da comida pra ter energia pra suportar muitas coisas difíceis na vida ao longo dos anos e que a gordura do corpo serviu para protegê-las, mas chegou a hora do BASTA. Já deu. Obrigada, gordura. Obrigada, comida. Eu sou forte agora. Eu cresci.

O emagrecimento na base do terrorismo, da vergonha, da culpa, do sofrimento e da privação não funciona. Isso é coisa do passado.

Vou seguir nesse assunto esta semana pelo WhatsApp com novidades e oportunidades para quem quer se aprofundar e sair deste jogo.

É só mandar mandar uma mensagem para o número acima dizendo: "Oi, eu quero participar entender por que dietas não funcionam e saber mais sobre Alimentação Consciente e Intuitiva".

Porque não falar a mesma linguagem, não se sentir compreendida ou aceita apesar das diferenças pode nos fazer comer excessiva e desnecessariamente, pode nos deixar muito tristes, ansiosas e pode até causar depressão. E a saída não é comer menos e se exercitar mais! 🙂

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