Como parar de sentir culpa por comer - um texto obrigatório

Comer sem culpa, para muita gente, significa brigadeiro de batata doce, macarrão de abobrinha ou pizza de brócolis low carb.

Nada contra batata doce, abobrinha ou brócolis, pelo contrário. O problema é tentar se enganar.

É passar vontade de comer brigadeiro, macarrão e pizza, comer uma coisa pensando na outra e, inevitavelmente, se descontrolar mais cedo ou mais tarde com uma quantidade de brigadeiro, macarrão, pizza, chocolate, sorvete, pão que nunca vai ser revelada – porque compulsão e esses exageros com comidas "proibidas" acontecem escondido de todo mundo e são acompanhados de muita vergonha e culpa.


Afinal, por que sentimos culpa?

A culpa não é algo da nossa natureza. A gente não nasce sentindo culpa por comer, nem com todas essas restrições rigorosas em relação à nossa alimentação. No Fabuloso e Assustador Mundo das Dietas, a culpa tem um papel muito importante: ela é uma juíza bem das arbitrárias do jogo, a madrasta má da historinha. 

Com a culpa a gente nunca tem vez, a gente sempre sai perdendo. É como se nunca fôssemos boas (capazes, competentes, controladas) o suficienteE sentimos culpa porque sempre achamos que poderíamos ter comido menos, melhor, de forma mais saudável. 

E isso gera muita, muita, muita ansiedade!

Mas precisamos nos lembrar que os padrões das dietas são inatingíveis ou insustentáveis, segundo porque no jogo da culpa, a alimentação é tratada de um jeito muito simplista: pode ou não pode; certo ou errado, engorda ou emagrece.

É desse universo radical, cheio de extremos e de terrorismo nutricional que analisamos nosso comportamento alimentar e concluímos que “erramos” e sentimos culpa. Estranho, não é?


O Revezamento de Vilões do Emagrecimento

Eu comecei a fazer dieta no começo dos anos 2000.
Lembro de procurar iogurtes 0% gordura. Se tivesse gordura, eu sentia culpa. Depois, a culpa passou a vir por causa do carboidrato, do açúcar, do glúten, da lactose, da frutose…

Eu já comi muita bolacha de água e sal quando nem me preocupava com carboidrato e morria de medo da gordura do queijo, por exemplo. Depois, comia muito bacon e queijo da paleo e fugiu dos carboidratos.

Cada época, cada dieta trazia sua regra e sua culpa.

Mas, pera… um alimento que realmente “NÃO FAZ BEM PARA O CORPO HUMANO” deveria ser definitivamente “proibido”, certo? Mas por que ele é proibido em uma época e deixa de ser proibido depois?

Se é errado, ruim e deveríamos evitar e sentir culpa por comer sempre. Por que isso muda com o tempo?!

Por que uma hora um alimento é vilão, gera culpa, mas eventualmente deixa de ser?

Por que sofremos por uma coisa que é “errado” comer em um momento, mas em outro não é?

Isso é o que eu chamo de O Jogo-de-Revezamento-dos-Vilões-do-Emagrecimento. Esse vídeo "NUTRICIONISTA" do Porta dos Fundos ilustra direitinho o que estou querendo dizer:

Hoje tenho certeza – e minhas alunas também percebem isso – que nosso corpo é extremamente sábio e sabe se regular perfeitamente bem. Se eu nunca tivesse mergulhado no nutricionismo e terrorismo nutricional, não teria perdido tanto tempo com uma coisa tão inútil quanto culpa por comer.

O terrorismo nutricional atrapalha o emagrecimento

Isso que eu chamo de O-Jogo-de-Vilões-do-Emagrecimento se popularizou. Hoje em dia, as pessoas não sabem mais o que comer. Gyorgy Scrinis, um pesquisador australiano, criou a expressão “nutricionismo” para explicar o fenômeno de que todo mundo se acha um pouco expert em nutrição e as pessoas estão usando nutrientes e vitaminas para se referir a alimentos.

Ao invés de falar pão ou macarrão, falamos carboidratos.
No lugar de castanhas, falamos gordura do bem.
E isso traz muito medo, reforça a ideia de certo e errado, e aumenta muito as cobranças e a intenção de proibir, eliminar, restringir.

Acontece que a culpa nasce justamente da proibição, de estarmos fazendo algo considerado errado.
A menos que você tenha alguma doença, alergia ou intolerância associada à alimentação, não precisa cortar alimentos da dieta. Cortá-los só vai fazer você desejá-los ainda mais.

Se você nunca tivesse entrado no jogo-de-revezamento-dos-vilões-do-emagrecimento, você estaria comendo numa boa, tranquilinha, respeitando e confiando no seu corpo com consciência, prazer e responsabilidade. Não com culpa. Eu ensino isso diariamente para minhas alunas aqui e aqui e funciona maravilhosamente bem. Mais intuição, menos terrorismo nutricional.

Comer com culpa engorda mais

Tem gente que explica a culpa como falta de planejamento, de organização, de rotina, de saber o que e quanto comer. É aquela mesma galera que acha que para emagrecer basta querer, ter foco, força, fé, fechar a boca e se exercitar mais.

(aliás, fuja da galera dos milagres, das informações simplistas, e do emagrecimento-rápido-fácil-e-definitivo. Se emagrecer fosse rápido e fácil, as pessoas já estariam felizes para sempre definitivamente emagrecidas, não é?!)

Claro que é importante se organizar – não só na alimentação, mas em todas as áreas da vida – mas o comer está longe de ser algo apenas racional, uma decisão apenas mental. Não nos falta informação, nós sabemos direitinho o que comer e isso só aumenta a culpa.

É unânime, as minhas alunas (de todos os cursos) conhecem muito bem podem comer e o que deveriam evitar, mas:

1. Isso não as impede de comer “o que não podem”;
2. Saber o que fazer e não fazer aumenta a culpa;
3. O excesso de informações as deixa confusas.
4. Elas dizem coisas do tipo: “eu como bem, mas meu problema são os doces…” ou “o problema é que eu sou muito ansiosa”;

Para que serve a culpa, então?

Olha… eu estou tentando entender isso ainda, viu. Concordo que no começo a culpa serviu como guia para entendermos alguns limites entre o mais indicado para emagrecer e o que atrapalharia o emagrecimento. Compreendo.

Mas não é o que acontece hoje com a maioria das pessoas, principalmente mulheres. A culpa nos deixa ansiosas, inseguras, com a autoestima com medo de comida, medo de engordar e o pior, todas essas emoções nos fazem buscar alívio justamente no comportamento que estamos tentando evitar: comendo compulsiva ou exageradamente.

Culpa definitivamente não ajuda a emagrecer ou ser saudável…

Agora é hora de seguir essa reflexão:
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