Depois de passar metade da minha vida fazendo dieta, eu não me canso de repetir a frase “eu não faço mais dieta”. Estou livre.

Foi uma decisão de vida: mudar a forma como eu via o mundo, como queria me relacionar e viver nele porque alguma coisa me dizia que viver tinha que ser mais do que “só aquilo” e pra me transformar, investiguei tudo que pensava e sentia.

Afinal, o que significa ser magra?

O desejo de ser magra está tão enraizado na nossa cultura – graças à bilionária indústria de produtos para emagrecer – que acabamos não nos fazendo a pergunta mágica: “por que quero ser magra?”. E como todo mundo fala sobre magreza e o desejo de ser magra como se fosse óbvio, a gente acaba não se questionando por que isso é tão importante.

Eu levanto essa dúvida há um tempão e a reação das pessoas é quase um dar de ombros acompanhado de “porque sim, ué!”.

 

Querer ter um corpo perfeito é tão natural quanto o desejo de estar viva. O problema é que essa busca faz exatamente o contrário: ela nos tira a vida aos poucos. Quando percebi que isso estava acontecendo comigo, que eu sorria menos, me sentia insegura sem motivo aparente, pensava frequentemente que seria mais feliz se meu corpo fosse diferente e percebi que não estava vivendo de verdade.

Foi aí que a grande virada aconteceu: decidi parar de controlar obsessivamente minha alimentação, desisti de ser magra e escolhi me amar exatamente como eu era.

Para minha surpresa, essa decisão teve efeitos mágicos na minha vida, como se eu tivesse me reconectado e me tornado quem eu sempre fui.

Eu não tinha um nome para o que estava vivendo, mas não podia negar que era algo maior do que tudo que eu jamais tinha vivido. Maior que minha mente, meu passado, minhas histórias do que era certo e errado. Passei a questionar minhas crenças sobre o mundo, buscar respostas científicas e espirituais.

Hoje eu digo que a minha relação com a comida abriu caminho para incríveis transformações internas e para um entendimento maior da PRESENÇA, aquilo que a maioria das pessoas chama de Deus, força maior, universo, o amor ou qualquer outro nome que você escolher para essa ação invisível a quem devotamos uma das coisas mais fortes e difíceis de explicar: nossa fé.

Eu acredito no Deus que a maioria das pessoas chama de Deus?

Não. Eu não acredito naquele que vive no céu, naquele que sabe todas as coisas e que atende a todas as preces. Eu não acredito no Deus de cabelo branco comprido e visão de raio X, que favorece algumas pessoas, alguns países, algumas religiões e não outras, mas acredito muito no mundo além das aparências e principalmente que existe muita coisa que não podemos ver ou tocar. E acredito – porque vivi isso várias vezes – que o mundo além das aparências é tão real quanto uma casa, uma borboleta, teu computador. Eu acredito no amor, na beleza e nos talentos e potenciais únicos que todo mundo tem, mas infelizmente muitas vezes não manifestam porque não tem espaço numa vida tão cheia de regras.

Eu sei que estamos sempre buscando o prazer e fugindo da dor, mas acredito que exatamente aquelas coisas da nossa vida que tentamos esconder ou consertar é o que nos leva além. E por isso, acredito que a melhor definição de Deus é aquela que usa a vida e o sofrimento como um caminho para o centro do próprio amor. Esse amor é o que eu chamo de ‘a verdade’, que existe dentro de todos nós e que infelizmente nos desconectamos muito facilmente.

O que esse papo de Deus tem a ver com seu corpo, sua alimentação e seu peso?

Deus, o amor, a verdade é o que mata aquela fome que insistimos em achar que é de comida. Mas é fome de mundo, fome de interiorizar a beleza ao nosso redor.

Quando você vê o pôr-do-sol e decide parar, prestar atenção, admirar, olhar as cores, sentir o calor e o vento ou faz o mesmo com uma flor, olha os detalhes, sente a textura e o perfume. Toda vez que você faz isso, com uma criança, um animalzinho, o mar, uma planta, o céu, a lua ou uma obra de arte, é como se estivesse inspirando toda aquela perfeição. Quando você se relaciona com outra pessoa com intensidade, curiosidade e atenção, o amor que você recebe de volta também mata sua fome. Correr atrás dos seus sonhos e do que é importante pra você mata sua fome.

E desculpa, eu queria poder pular a parte do ‘mas’, MAS a maioria de nós não faz isso. Nós não observamos de verdade o mundo ao nosso redor, não prestamos atenção às coisas boas que já existem nas nossas vidas. E, por isso, nunca temos a sensação de já ter ou ser suficientes. Nós não interiorizamos o que nós já temos e acabamos sempre sentindo esse vazio de que falta alguma coisa.

Isso soa polêmico, mas eu acredito que o que nos faz engordar em primeiro lugar não é a comida, a quantidade de atividade física ou o metabolismo. O que nos faz engordar é nunca matarmos nossa fome de vida.

Preste atenção, um dia de cada vez, como está sua vida, o que você pode fazer pra ter mais amor, beleza e verdade no seu dia a dia e depois me conta aqui nos comentários, vou amar saber.

 

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2 comentários

  1. Adorei o texto!
    Estou emocionada, pois é tudo o que estou sentindo nesse momento.
    Obrigada por compartilhar seus ensinamentos.
    Bjs

    1. Que bom que você gostou, Vivis!! Foi muito emocionante escrever esse texto, ele é um dos meus queridinhos! <3

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