Eu ia começar esse texto escrevendo que não tem nada mais gostoso do que se conectar com uma outra pessoa. Aquele papo familiar que já começa com cumplicidade e pula a parte de entrevistinha “Onde você mora? O que você faz? Do que você gosta?”. Você percebe que se conectou assim com alguém quando esquece o celular, a hora e se pega com os olhos e ouvidos atentos à outra pessoa e ahams, uhuns encorajando quem fala. Do jeito mais espontâneo, sem fórmula mágica, sem julgamentos viagra generico.

Mas daí eu pensei que melhor do que isso é se conectar com você mesma.

Hoje me perguntaram “pelo que você sente gratidão hoje, Lígia?”. Não era uma pergunta retórica, não tinha resposta certa. Pela minha vida, minha saúde, minha família? Claro que sim… mas o que mais? O que é realmente importante pra mim? Em poucos segundos eu me conectei. Meu radarzinho da verdade explorou rapidamente todas as coisas que vieram na minha cabeça e eu tive certeza da resposta. Naquele momento, naquele exato momento eu não estava em outro lugar, eu estava presente. Eu estava fisicamente, mentalmente, espiritualmente e emocionalmente no mesmo lugar. Eu estava inteira e conectada.

Por anos, eu imaginei uma vida na minha cabeça. Nela eu era magra, 100% do tempo autoconfiante, não sentia medo ou frustração, tinha sucesso, era decidida, tinha nariz empinado e um sorriso fixo no rosto. Essa era minha definição de sucesso e de estar viva. Minha? Era uma vida meio enlatada, mas eu não percebia isso.

Estar magra era o primeiro item da lista e pré-requisito para o restante, claro. Eu passei anos buscando isso e fazendo todo tipo de loucura e restrição, me punindo e odiando meu corpo em nome dessa fantasia.

Algumas vezes, eu cheguei , cheguei no extraordinário mundo imaginado mas a felicidade não estava lá e as coisas não eram tão coloridas quanto deveriam ser.

Shit.

Ao invés de entender que eu estava imaginando errado, eu inventava uma nova meta idiota, alguma coisa fora de mim que eu precisava buscar, ter ou fazer. E nessa busca toda, eu esquecia ou estava ocupada demais pra perceber (mesma coisa) que eu tinha uma família, amigos, sonhos só meus, passarinho do lado de fora da janela, morava numa rua super arborizada e numa cidade incrível. Eu esquecia de dar risada, de olhar nos olhos das pessoas, de respirar, de ser. Eu esquecia todas as coisas que estrategicamente não contribuíam pra vida extraordinária que eu não aproveitava porque vivia ansiosa demais.

Eu nunca estava inteira, eu nunca estava conectada. Eu estava sempre em algum lugar do passado ou do futuro, correndo atrás da vida que eu achava que tinha que ter e tava perdendo a vida que eu já tinha.

Jon Kraukauer escreveu que quando ele chegou no topo do Monte Everest ele percebeu que era só um pedaço de terra com bandeiras coloridas no vento. Era só a metade de um caminho que ele estava percorrendo. Ele ficou um pouquinho lá e, exausto depois de 57 horas de subida, ele começou a descer. Quando ele voltou pra casa, ele disse que uma das coisas que ele mais gosta é poder levantar no meio da noite, descalço e andar até o banheiro.

Andar. Descalço. Noite, estrelas, casa, aconchego, um gole de chocolate quente, cheiro de comida caseira, cuidado de alguém que a gente ama, cheiro de chuva. Coisas aleatórias que vieram na minha cabeça enquanto eu pensava em coisas comuns que passam despercebidas quando a gente está prestando atenção nas coisas que precisa fazer para atingir um destino e, finalmente, poder relaxar – e aproveitar as coisas comuns. Louco, contraditório, esquisito, humano.

Hoje eu me libertei, mas como muitas pessoas, eu acreditava que existia um lugar extraordinário e perfeito e era lá que eu queria viver. Lá. Não aqui, lá. Eu tava recusando toda minha vida, minha história e buscando aquele lugar lá. Da mesma forma que eu rejeitava o corpo que eu tinha, em nome do corpo que eu queria. Resultado, eu nunca estava em lugar nenhum. Nem lá, nem aqui. Eu estava no meio, perdida, desconectada, me sentindo sozinha e tentando me convencer de que existia um propósito praquilo tudo.

Depois de bater minha cabeça na parede milhares de vezes tentando me convencer de que o que eu buscava tava em algum lugar, fora, longe, percebi que eu tava perdendo minha vida tentando encontrar uma coisa que eu já tinha.

No final das contas, o extraordinário da vida não tá reservado pra pessoas especiais, pra grandes conquistas ou para noites de tapete vermelho. O extraordinário está em me conectar aqui com você através desse texto ou numa conversa envolvente com um amigo querido. O extraordinário está em comer sem culpa um hambúrguer de queijo com tomate e mostarda ou trocar um olhar com um desconhecido na rua.

Quando eu me conecto e presto atenção ao que está dentro de mim, o que parece ordinário e comum se torna grande e me preenche. Aprendi que ao invés de buscar, eu posso sentir e valorizar o que eu já tenho. E quando eu fico ansiosa e com a respiração ofegante porque todo mundo tem alguma coisa que eu não tem ou já chegou em algum lugar que eu não cheguei ainda, me lembro que o topo é só um pedacinho de terra no meio do caminho de volta. E que momento nenhum, lugar nenhum ou coisa nenhuma é melhor do que esse momento presente, essa minha respiração, essa sensação do meu pé tocando o chão e o universo me amparando. Agora.detox-lindo-4

 

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3 comentários

  1. Lindo texto.. me lembrou tanto do filme “Poder além da vida”.. sobre a importância de viver o AQUI e AGORA!

  2. Que lindo Ligia, quero aprender a viver assim, um dia após o outro, aprendendo a me achar bonita por dentro e por fora. Obrigada!

    1. Eu sempre penso: ‘se eu consegui, você consegue também’. Eu era a pessoa mais ansiosa e compulsiva do mundo. Existe saída! haha É só não parar que você chega lá. 😉

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