O sorriso de mulheres emagrecidas

Esta é uma reflexão sobre o que acontece com mulheres que emagrecem muito.

Eu pre-ci-so começar este texto gritando NÃO É FÁCIL.

Não é fácil pra quem quer emagrecer e não consegue.
Não é fácil pra quem emagreceu e recuperou.
Não é fácil pra quem quer fazer bariátrica, pra quem fez e "deu certo", pra quem fez e "não deu certo".
Não é fácil pra quem emagrece e ainda assim não fica 100% feliz com o corpo.

Aliás, não é fácil ter um corpo de mulher na nossa sociedade.

Há alguns anos venho ensinando que dietas restritivas não funcionam a longo prazo e depois de alguma estranheza inicial, percebo que tem gente que entende e tem gente que desconfia. Tem quem acredita logo de cara e tem quem desafia.

Nesse texto, nós vamos falar sobre o algo que pode ser um pouco indigesto, mas bem verdadeiro: o poder que o emagrecimento tem de hipnotizar as pessoas, mantê-las na fila do emagrecimento e por que o desejo de emagrecer é TÃO forte.

Por que todo mundo quer emagrecer?

No nosso imaginário, aprendemos que emagrecer está na cartilha da vida social completa. É tipo fazer faculdade, casar, comprar, casa, carro, ter filhos e passar a vida de dieta.

Emagrecer traz reconhecimento social, aplausos, a fantasia de felicidade constante e inabalável, autoestima, beleza, “inveja das inimigas” (não sei porque isso é bom, mas né…), vontade de trabalhar, coragem pra mudar tudo que você sempre quis, beleza, beleza, beleza, amor, alegria, confiança.


Sei lá eu o que mais. Tudo!

Todo mundo quer emagrecer porque a gente aprendeu que emagrecer é a melhor coisa da vida, que resolve todos os problemas, que é “o certo”, que é “o mais bonito”.

Aprendemos que emagrecer está na cartilha da vida social completa.

A grande ilusão

Nessa perspectiva, emagrecer é um acontecimento que resolve todas as áreas da vida. E a gente acreditou. Bom, eu acreditei, minhas alunas acreditaram, muitas mulheres ainda acreditam. Costumo dizer que esta é a mentira do século!

Estabeleceu-se que existe um formato de corpo que é para ser o padrão - possível para menos de 1% da população que pra conseguir é como eu já disse nesse texto AQUI: emagreça ou viva (morra?) tentando - e conquistá-lo É a solução para todos os nossos problemas.

5 minutos de glória: o emagrecimento 

E aí acontece uma coisinha que reforça demais a crença de que emagrecer é viver no paraíso: o próprio emagrecimento.

Até porque as dietas funcionam sim das primeiras vezes. Então, além de criarmos um registro de que dá certo – afinal, já experimentamos a magreza por 5 minutos, – vivemos, na própria pele a reação das pessoas e a nossa própria reação ao emagrecimento: o grande palco.

Vivemos a mesma hipnose e acreditamos na Grande Ilusão. Recebemos desde cedo a mensagem de que ser magra é “o certo” e de que a magreza é sinônimo de beleza, felicidade, realização. Ser magra é chegar lá, é atestado de sucesso na vida.

Aprendemos que magreza é sinônimo de beleza, felicidade, realização e sucesso.

O sorriso das mulheres emagrecidas

VAMOS FALAR A VERDADE: tem coisa melhor na vida do que se sentir amada, elogiada, admirada, reconhecida?

É BOM DEMAIS!

Essa sensação é deliciosa sempre e não estou falando só sobre emagrecimento agora, mas de qualquer coisa que fazemos que gere reconhecimento e impressão de dever cumprido. Eu diria que é quase VICIANTE! Acho que você concorda com isso. Você deve conseguir se lembrar de algo que você fez na vida e que as pessoas te elogiaram, parabenizaram, que você se sentiu orgulhosa e talvez até imbatível.

Os conhecidos comentam, a família elogia, pai e mãe dão parabéns e uma legião de pessoas te perguntam: O QUE VOCÊ FEZ? ME CONTA O SEGREDO, TAMBÉM QUERO.


De uma forma beeeeeem simplificada, emagrecer é atingir algo que traz reconhecimento social e pessoal. Poderia ajudar uma tribo indígena, poderia ser comprar um carro, poderia ser educar um ser humano, dormir 8h por noite, ser gentil com o porteiro, mas não… nossa cultura decidiu que um grande feito na vida é ser magra…

E daí vem o sorriso da mulher emagrecida.

Num é 

A emagrecida blogueira

Eu tenho uma teoria de que algumas emagrecidas sofrem de uma amnésia temporária.

Elas esquecem da dor pré-emagrecimento. É como se ultrapassassem um portal e entrassem no Hall das Emagrecidas, o lugar mágico daquelas que conseguiram. Ficam lá na fase da glória e da purpurina relatando seus feitos de superação. Do quanto um dia perceberam que açúcar é veneno, vicia mais que cocaína e que seu eu magro despertou, limpou o paladar e descobriu uma força infinita pra fazer o que tem que ser feito

Acredito que este tipo esconde uma dor muito, muito, muito grande e que uma hora vai explodir sim ou sim. Recuperando o peso, em uma doença ou alguma outra área da vida.

O emagrecimento veio na base do ódio, de alguma forma de vingança (vingança, no dicionário, resposta a algo que foi percebido ou sentido como algo prejudicial).

Este tipo de mulher emagrecida lutou pra chegar lá - não há dúvidas disso - escolheu negligenciar certas áreas da vida pra vencer o jogo de sucesso da sociedade. Porque né... você pode ser uma mulher fodona que dá conta de casa, filho, marido, família, ganha bem, mas se não for magra... desculpaí, você não tá jogando o jogo direito. 


A gente tem que parar com essa ideia mentirosa de emagrecimento-fácil-rápido-e-definitivo







Magras e emagrecidas - o que ninguém te contou

Lembra que eu falei que nesse texto eu ia falar da parte indigesta?! Então… mesmo com todos os argumentos do mundo e evidências da vida da própria pessoa, já vi muitas mulheres resistindo muito ao fato de que dietas não funcionam a longo prazo e se apegam a alguns argumentos mentais.

Eu não tenho mais vergonha de admitir que já tive inveja de mulher magra por acreditar na Grande Ilusão, mas no meu processo de cura tive a sorte de ter mulheres magras-desde-sempre que conversaram honestamente comigo e percebi que elas tem problemas tão grandes quanto eu percebia os mesmo. Mesmo sendo magras.


Aqui quero falar de 3 casos principais:
* as mulheres magras;
* as emagrecidas;
* as que fazem bariátrica;

Eu não tenho mais vergonha de admitir que já tive muita inveja de mulher magra por acreditar nA Grande Ilusão, mas no meu processo de cura tive a sorte de ter mulheres magras-desde-sempre que conversaram honestamente comigo e percebi que elas tem problemas tão grandes quanto eu percebia os meus

A bariátrica é uma caixinha de surpresas. Já ouvi centenas de relatos, nunca encontrei dois sequer parecidos.
* Tem gente que passa mal, tem gente que não.
* Tem gente que sofre menos ou mais.
* Tem quem precise emagrecer um pouco antes da cirurgia, outras não.
* Deve ter gente que nunca tem problema de digestão, tem gente que passa mal em todas as refeições.
* Tem gente que tem dumping, tem gente que não.
* Tem gente que emagrece “tudo”, tem gente que não.

Já tive até uma aluna que fez mais de uma cirurgia bariátrica na vida e outra que perdeu 10kgs (que pra bariátrica é bem pouco).

Mas tem uma coisa que muitas das pessoas que eu conheci que fizeram bariátrica vivem ou viveram: a glória.

Não existe uma única coisa que resolve tudo.
Não existe um único remédio para todos os sintomas.

Lígia, mas você é contra emagrecimento? DE JEITO NENHUM. Eu sou 1000% a favor de liberdade e das pessoas fazerem as escolhas que quiserem na vida. Quem quiser escolher emagrecer ou quem quiser pagar o preço por isso, eu vou super respeitar.

Mas eu sou profundamente contra A Grande Ilusão e me dedico demais – não só aqui, mas de várias formas diferentes – a mostrar para as pessoas que ela existe e que causa profundo sofrimento. Se mesmo assim, o emagrecimento a todo custo for uma opção, tá tudo bem por mim. O que não dá é continuar machucando o próprio corpo sem saber que existem alternativas.

E se por acaso você está pensando “mas depois de tudo que você falou sobre dietas, como emagrecer?”. Bom, eu acredito em emagrecimento através do autoconhecimento. Eu sempre defendi que o problema não está na comida, mas na nossa dificuldade de lidar com nossas emoções e com a vida como ela é. Por isso mesmo, meu projeto chama Não é dieta, é VIDA.

Eu acredito que se investigarmos o suficiente, se entendermos o que nos leva a comer quando não estamos com fome e aprendermos novas formas de lidar com a fome emocional, a comida vai perder o status que adquiriu no Jogo da Comida e o emagrecimento será consequência. É esse meu trabalho: ajudar mulheres a se relacionar com o corpo e a comida de uma forma inteligente e personalizada.

Esse é um texto parcial. Não espero – óbvio – que todas as experiências do mundo estejam descritas e não escrevi um texto que seja a verdade suprema absoluta.

Também acho que homens podem passar por algumas das coisas que escrevi aqui, mas este é texto escrito para mulheres sobre mulher por uma mulher.

Elas superaram um grande medo: o medo de engordar.

5 minutos depois

Adeus, palco. Adeus, atestado de sucesso na vida. Adeus, elogios, admiração.

Como eu já expliquei aquiaqui e aqui, dietas restritivas não funcionam a longo prazo e 98% das pessoas recuperam todo o peso perdido e um pouco mais.

Quando eu digo que o emagrecimento através de restrição alimentar é uma ilusão é porque ele não é sustentável.

Te ensinam a emagrecer, mas não ensinam a manter.
Ensinam o que não deve comer, mas não ensinam a lidar com a fome emocional.
E isso tá muito errado! É triste! É cruel porque exigem algo (emagrecer), mas não ensinam como e ainda dizem que é só querer,  fechar a boca, só, só, só…

Independente do método, a real é que os 5 minutos de glória, luz, purpurina do emagrecimento passam, e o que resta? Frustração. Vergonha. Sensação de fracasso.

Como lidamos com isso? Depois de um período de tristeza e luto, recomeçamos. De novo. Foco, força, fé, #vaigordinha, agora vai.  Eu quase morro de tristeza ao escrever isso. Voltamos para a fila do emagrecimento, colocamos nossa vida no pause como se ela – a vida – só fosse começar quando formos definitivamente magras e felizes com nosso corpo. Mas a vida tá aí, super acontecendo com qualquer corpo.

Quanto vale o sorriso de mulher emagrecida?

Essa é a parte mais triste.

Eu não tenho mais vergonha de admitir que já tive inveja de mulher magra por acreditar na Grande Ilusão, mas no meu processo de cura tive a sorte de ter mulheres magras-desde-sempre que conversaram honestamente comigo e percebi que elas tem problemas tão grandes quanto eu percebia os mesmo. Mesmo sendo magras.


Aqui quero falar de 3 casos principais:
* as mulheres magras;
* as emagrecidas;
* as que fazem bariátrica;

Eu não tenho mais vergonha de admitir que já tive muita inveja de mulher magra por acreditar nA Grande Ilusão, mas no meu processo de cura tive a sorte de ter mulheres magras-desde-sempre que conversaram honestamente comigo e percebi que elas tem problemas tão grandes quanto eu percebia os meus

A bariátrica é uma caixinha de surpresas. Já ouvi centenas de relatos, nunca encontrei dois sequer parecidos.
* Tem gente que passa mal, tem gente que não.
* Tem gente que sofre menos ou mais.
* Tem quem precise emagrecer um pouco antes da cirurgia, outras não.
* Deve ter gente que nunca tem problema de digestão, tem gente que passa mal em todas as refeições.
* Tem gente que tem dumping, tem gente que não.
* Tem gente que emagrece “tudo”, tem gente que não.

Já tive até uma aluna que fez mais de uma cirurgia bariátrica na vida e outra que perdeu 10kgs (que pra bariátrica é bem pouco).

Mas tem uma coisa que muitas das pessoas que eu conheci que fizeram bariátrica vivem ou viveram: a glória.

Não existe uma única coisa que resolve tudo.
Não existe um único remédio para todos os sintomas.

Lígia, mas você é contra emagrecimento? DE JEITO NENHUM. Eu sou 1000% a favor de liberdade e das pessoas fazerem as escolhas que quiserem na vida. Quem quiser escolher emagrecer ou quem quiser pagar o preço por isso, eu vou super respeitar.

Mas eu sou profundamente contra A Grande Ilusão e me dedico demais – não só aqui, mas de várias formas diferentes – a mostrar para as pessoas que ela existe e que causa profundo sofrimento. Se mesmo assim, o emagrecimento a todo custo for uma opção, tá tudo bem por mim. O que não dá é continuar machucando o próprio corpo sem saber que existem alternativas.

E se por acaso você está pensando “mas depois de tudo que você falou sobre dietas, como emagrecer?”. Bom, eu acredito em emagrecimento através do autoconhecimento. Eu sempre defendi que o problema não está na comida, mas na nossa dificuldade de lidar com nossas emoções e com a vida como ela é. Por isso mesmo, meu projeto chama Não é dieta, é VIDA.

Eu acredito que se investigarmos o suficiente, se entendermos o que nos leva a comer quando não estamos com fome e aprendermos novas formas de lidar com a fome emocional, a comida vai perder o status que adquiriu no Jogo da Comida e o emagrecimento será consequência. É esse meu trabalho: ajudar mulheres a se relacionar com o corpo e a comida de uma forma inteligente e personalizada.

Esse é um texto parcial. Não espero – óbvio – que todas as experiências do mundo estejam descritas e não escrevi um texto que seja a verdade suprema absoluta.

Também acho que homens podem passar por algumas das coisas que escrevi aqui, mas este é texto escrito para mulheres sobre mulher por uma mulher.

Elas superaram um grande medo: o medo de engordar.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *