Fiz dieta minha vida inteira e não acreditava ser possível viver sem pensar em comida o tempo todo.

Eu acordava pensando no que comeria aquele dia, passava o dia desejando o que não podia comer e ia pra cama sentindo culpa por não ter comido direitinho. Acreditava que a dieta resolveria meu problema com a balança mas era justamente o contrário, e sabe o que acontece depois de muita dieta e restrição? Deixei de ser eu mesma. Meu metabolismo, autoestima e principalmente minha sanidade estavam totalmente detonados.

O pior é que nos dizem – e nós acreditamos – que devemos fazer isso pela nossa saúde e porque ‘o natural é ser magra’. Tentamos nos convencer que o peso é uma questão de ingerir versus queimar calorias quando, na verdade, peso e apetite não funcionam como uma equação matemática e seu corpo é muito mais complicado que isso.

Nos deixamos hipnotizar pela ideia de que magreza é sinônimo de felicidade e que é natural ter como meta de vida a busca por um corpo perfeito. Ninguém fala que corpo bonito é aquele que tem uma pessoa feliz dentro dele e que não existe jeito errado de ter um corpo. Every body is a good body.

Claro que toda essa história de quem ‘se ama se cuida’ tem a melhor das intenções. A questão é que quem se ama e se cuida não faz dieta. Quem se ama e se cuida se acolhe amorosamente e cultiva o amor próprio de todas as maneiras possíveis. E a receita mais simples e poderosa de amor próprio que eu conheço é se perguntar todos os dias o que você precisa e fazer de tudo para conseguir.

Quando me perguntei nas primeiras vezes o que me faria feliz e saudável, descobri que a resposta era ampla e certamente não incluía fazer dieta – o difícil era que essa nova descoberta ia contra tudo que diziam ao meu redor e eu acabaria comendo tudo que visse pela frente. Passei anos acreditando que essa vontade doida de comer fosse a prova de que eu não podia confiar no meu corpo, mas a verdade é exatamente o contrário: sentir muita vontade de comer depois de um longo período de restrição é a prova de que podemos confiar no corpo.

O corpo está apenas tentando restabelecer o equilíbrio de energia e estabilizar o peso através da compulsão para combater a restrição. Se permitirmos, comermos com prazer e conscientemente, o corpo se sente equilibrado novamente e tudo se normaliza. Mas ao insistirmos em brigar, resistir, temer, não deixamos a natureza trabalhar, a magia acontecer e vira um ciclo de terror alimentar e sofrimento emocional.

Nossa função não é fazer dieta ou controlar o peso. Na verdade, o corpo foi programado exatamente para o contrário: ele se autorregula, sabe o que é melhor para estar forte e saudável. E quando restringimos, nosso corpo acredita que existe escassez e vai fazer tudo que puder para nos salvar disso. O resultado é o ciclo da dieta: restrição, compulsão e obsessão por comida.

Quem se sente preso no ciclo da dieta costuma pensar que se conseguisse pelo menos “controlar” a compulsão, tudo se resolveria. Mas comer demais não é o problema principal, a compulsão é só o sintoma da dieta. Fazer dieta é o problema.

Aqui está o segredo revelado:

A compulsão sempre existirá em resposta à restrição.

Pare de restringir e a compulsão vai parar naturalmente.

E quando eu falo em restrição, estou falando das duas formas possíveis: real, cortando alimentos e calorias; e em pensamentos “eu não deveria comer isso”. Ou seja, você não precisa nem estar de fato restringindo o que come para seu corpo sentir que está em restrição. Só pensar em limitação já é suficiente para que seu corpo acredite na privação.,

Tentar eliminar a compulsão alimentar sem antes parar de restringir e seguir dietas é como achar que seu carro está com problema no motor quando na verdade o problema real é que ele está sem combustível. Simplesmente não vai resolver porque não está trabalhando o problema real.

Faz tanto tempo que falamos e acreditamos que dietas são a solução que, por favor, não se culpe. Indústrias e instituições muito maiores do que nós, trabalham muito para nos manter pensando assim. Mas reflete… fazer dieta funciona? Além de algum efeito forçado e efêmero de algumas semanas ou meses (e olha lá!). Não. Porque nós simplesmente não fomos feitos para funcionar desta forma. Se dietas funcionassem, seriam feitas uma vez na vida e pronto, problema resolvido.

A boa notícia é que temos escolha e liberdade para adotar novos hábitos na hora que quisermos e finalmente vivermos em paz com a balança. Ainda bem!

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