“Droga, tô gorda, preciso começar uma dieta”.

De novo.

Mais uma.

Agora vai.

Para milhares de mulheres, esse pensamento é mais automático do que tomar banho/escovar os dentes/dormir.

A gente esquece – e muitas mulheres ainda nem sabem – que existe um jeito totalmente diferente de se relacionar com comida.

Querer emagrecer e não conseguir ou aparecer vitoriosamente magra, receber elogios e depois engordar tudo de novo é uma vergonha que a gente vive em silêncio, do lado de uma barra de chocolate.

A gente esqueceu – e muitas mulheres nem perceberam ainda – que NÃO é normal estar de dieta O TEMPO TODO e esse é um estilo de vida muito triste, difícil e destrutivo.

A gente não entendeu que nosso corpo é sábio e que não adianta vir com essa putaria de restringir e proibir porque só adianta das primeiras vezes. Depois, os mecanismos biológicos poderosíssimos do nosso corpo vencerão e vamos acabar comendo independente de promessas ou “força de vontade.

(sobre a diferença entre Força de Vontade de verdade e essa “força de vontade” aí que todo mundo fala, mas ninguém sabe de verdade o que é, baixe o Guia Gratuito da Força de Vontade. Nele eu explico direitinho mitos e fatos que eu queria ter aprendido aos 15 anos).

A gente mergulhou nessa doideira de padrão de beleza e esqueceu que a culpa que nós sentimos ao comer e o medo de comida não deveriam existir e que é possível viver em liberdade e alegria ao invés DISSO.

A maioria das mulheres sofre.

E sofre em silêncio.

Nós sofremos porque tentam nos dizer que não podemos desejar comida e não podemos habitar o corpo que temos.

E fantasiam toda essa maluquice com o rótulo de saúde.

Cof cof cof.

Não é saudável tomar remédio para emagrecer.

Não é saudável oscilar entre restrição e compulsão alimentar.

Não é saudável achar que “ficar doente tem um lado bom quando emagrecemos”.

Não é saudável pensar o tempo todo em comida, corpo, emagrecimento, peso, dieta, balança, aparência.

Comer está entre as necessidades BÁSICAS de todo ser humano. Básicas. Não é um privilégio para pessoas magras, nem uma oportunidade única de final de semana.

Nós sofremos porque pensamos que temos quee ser diferentes de quem somos. Que temos que atingir um padrão único e ilusório de beleza, que pra isso precisamos controlar nosso corpo e sermos punidas com pouca comida e muita vergonha… por sermos humanas.

Humanos tem desejos, humanos erram, humanos sofrem. Tem emoções, são plantinhas complicadas.

Nós sofremos. Em silêncio. E não falamos sobre isso.

Por que tem que ser assim?

A gente tem que estar bonita, magra, jovem e pra isso não podemos comer, o certo é “fechar a boca” (e as pernas, mas isso é assunto para outro texto).

Temos que entrar para O Clube das Magras. Não importa o quanto isso nos machuque no processo.

Nós sofremos. E sofremos silenciosamente – por que quem vai ousar questionar a manada?

Se você está sofrendo neste momento, saiba que existe um caminho diferente. Talvez você tenha esquecido como ele é. Talvez você nem saiba que ele existe. Talvez você nem acredite nele. Mas ele existe.

Existe um jeito diferente de olhar para a comida, pensar em comida, comer a comida, estar perto de comida.

Existe um jeito diferente de estar no seu corpo, de habitar seu corpo, de sentir seu corpo, de viver na sua própria pele.

Se você sente que não há esperança, não vê luz no fim do túnel, saiba que outras mulheres encontraram um caminho.

O primeiro passo é perceber, entender e concordar que ISSO NÃO É NORMAL. E não venha me dizer que você não quer ter uma relação natural com comida. Não tente me convencer que você está BEM com todo esse sofrimento, desperdiçando todo esse tempo, dinheiro e VIDA para mudar sua aparência. Por favor, não.

Não é natural dividir a comida entre permitido e proibido – sem contar que isso nem funciona, né?! a gente não deixa de comer por ser “proibido”, pelo contrário (!).

Pare de sofrer.

Não é sua aparência que determina o que você vai conseguir e o quanto vai ser feliz na vida.

Você não precisa viver uma relação abusiva com comida para ter VALOR.

Você não tem que sofrer para ser amada.

Seja honesta.

Seja você.

Se leve a sério o suficiente e busque a liberdade de ter uma vida que valha a pena viver – uma vida inteira e de verdade.

Escrevi este texto na manhã do dia 15 de janeiro de 2017 logo depois de passar por um lugar que me lembrou um episódio épico horrível de compulsão alimentar, quando ainda sofria sozinha e não saiba que existe um caminho diferente.

Imagem: Pinterest.

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