Transtorno alimentar é uma realidade que nem sempre está visível. Quando eu fazia dieta, eu conhecia dois jeitos de comer:

Estilo zumbi – inconsciente, fingindo que não estava ali, comendo tudo que via pela frente, rápido, sem sentir o gosto, com culpa, com medo de engordar.
Estilo “Fome? Que isso?” – ficando sem comer (ou pelo menos tentar) como punição por ter comido, por medo de engordar, pra tentar emagrecer, pela culpa por ter comido ou porque eu tinha medo de comida.

Eu devia saber que essa prática não era sustentável, mas era a única forma que eu conhecia de me relacionar com comida. Eu amava e eu temia, e de um jeito ou de outro, a comida estava sempre no centro da minha vida (pra tirar a comida do centro da sua vida, clique aqui).

Eu começava uma dieta com determinação inabalável, super comprometida, prometendo superar qualquer desejo, jurando disciplina pra seguir o cardápio bonitinho e nada além dele.

Dois dias depois estava devorando o mundo.

Tecla repeat milhares e milhares de vezes.

Foram muitos quilos emagrecidos e engordados, muitas promessas, muitas recaídas, muitos episódios de compulsão alimentar, de autorrejeição, muita alienação e inconsciência. Muito estar no corpo sem habitar esse corpo.

Eu demorei muito pra descobrir que não era normal viver assim e quando entendi sobre esse transtorno alimentar, percebi que minha relação com a comida tinha muitas outras coisas malucas e transtornadas, atitudes que eu nem percebia que estava fazendo. Por isso vou falar mais sobre minha vivência.

Conheça as atitudes do transtorno alimentar:

1. Oscilar entre restrição e compulsão alimentar

Eu ignorava todos os sinais de desejo, fome ou saciedade do meu corpo. Eu seguia o que me falavam e ignorava minha própria intuição! Estava sempre procurando uma nova dieta, evitando o último vilão apontado pelos terroristas nutricionais, correndo atrás de uma nova promessa pra me fazer emagrecer. Eu estava em todos os lugares, menos no meu próprio corpo. Quando eu aprendi a ouvir e confiar no meu corpo, eu descobri o que era paz e equilíbrio.

2. Dividir a comida entre permitida e proibida

Maçã pode, chocolate não. Alface sim, macarrão não. E adivinha o que eu sempre queria comer? Claro, o que não podia. E tudo que é proibido se torna muito, muito, muito mais atraente. No fim das contas, quando comecei a alimentação consciente e intuitiva, eu já não sabia mais o que eu realmente gostava e o que eu desejava só por não poder comer. Quando se come intuitivamente, não existe diferença entre comidas “boas” e “ruins”. É tudo comida. Isso não quer dizer que não exista diferença nutricional entre uma maçã e uma torta de maçã. A questão é que depois da torta de maçã, se você ouvir, vai perceber que seu corpo pede naturalmente algo mais nutritivo para compensar o excesso de gordura e açúcar.

3. Sentir vergonha de comer na frente dos outros

É que, né… sabe como é… onde já se viu estar acima do peso e comer brigadeiro ou coxinha?! Na nossa cultura, quem está acima do peso merece sofrer. Mas olha que descoberta chocante: todo mundo precisa de comida pra viver. Todos os dias. Entender que comida é só comida, é combustível, é saúde, é prazer, é necessária e é permitida mudou radicalmente minha vida em todos os aspectos.

4. Comer escondido

Seres humanos odeiam receber crítica, morrem de medo do julgamento das outras pessoas. Pra evitar isso, comer escondido se torna uma opção não muito distante. E aqui, como no tópico acima, entrou a legalização da comida. A permissão para comer me transformou numa mulher muito mais leve e feliz.

5. Fazer atividade física para poder comer ou porque comeu demais

Hoje eu absolutamente amo fazer atividade física. Pela atividade física, pelo prazer, pelas endorfinas, pela sensação de força e superação. Hoje. Mas teve uma época que eu fazia atividade física para ter “créditos” pra comer ou como punição por ter comido demais. Louco, né?! Abandonar as dietas foi minha grande redenção, fez eu me sentir uma pessoa normal de novo – é sério, eu achava que tinha alguma coisa errada comigo por não conseguir emagrecer! E comer “normalmente” me fez emagrecer, que ironia!

6. Passava o tempo (em que não estava comendo) preocupada com comida

Eu acordava pensando no que tinha comido no dia anterior e planejando que ia “comer direitinho” naquele dia, seguindo seja lá qual era o cardápio da vez. Ficava pensando no que queria comer e não podia, no que tinha comido que não devia, ficava pensando em comida ao mesmo tempo que não queria pensar em comida… Eu nem sabia que dava pra viver sem pensar em comida o tempo todo. Quando a comida deixou de ser proibida, parou de ser fascinante e saiu do centro da minha vida. E eu recuperei minha liberdade.

Tudo isso me mostrou que planejar o que eu ia comer, não garantia que eu comeria. Proibir comida, não me impedia de comer. A única coisa que fazer dieta trouxe pra mim, foi a sensação de ser anormal, incapaz, fracassada e triste, e é exatamente isso que faz do transtorno alimentar um problema. Deixei de sair muitas vezes, adiei grandes acontecimentos da minha vida, me sentia pequenininha (mesmo sendo gigante por dentro) porque achava que meu corpo tinha que ser diferente.

Hoje superei o transtorno alimentar e como quando estou com fome, paro quando estou satisfeita, amo movimentar meu corpo, viajo, namoro, sorrio, corro atrás dos meus sonhos e trabalho ajudando outras mulheres a fazer o mesmo. Vamos nessa? Marque uma conversa comigo aqui!

Imagem: Pinterest

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