Eu sempre gostei muito de suco de laranja. Desde criança, era meu lanche preferido na escola (suco de laranja natural com bolacha recheada de chocolate), hummmm. E aí, lembro que me disseram que eu não deveria tomar suco de laranja porque suco de laranja engorda.

De repente, suco de laranja era proibido! E de repente, eu queria, precisava, gostava mais ainda. Mais do que nunca. De uma hora pra outra, eu não pensava mais no sabor do suco, mas só em aproveitar cada oportunidade que eu tivesse de tomar um. Um não, mas o máximo que eu pudesse e sem perceber tomava de uma forma furtiva, o mais rápido possível. Como se estivesse fazendo uma coisa errada e proibida. O pior: isso não acontecia só com suco de laranja, não. Era uma listona de coisas proibidas que quanto mais eu restringia, mais eu desejava.

De quebra, vinha uma sensação horrível de que eu era a pior pessoa do mundo só por pensar em comer alguma daquelas coisas. Você sabe de que coisas eu estou falando, né: tudo “aquilo que engorda”.

Eu era uma gordinha que só comia coisas que “não engordavam”.

Foram muitos anos de conflito e privação, até que eu criei coragem de parar e escutar meu corpo. Percebi que tudo que me diziam não estava de acordo com a minha verdade e o coitado do suco de laranja era inocente. Descobri que tem um outro jeito de viver com comida: é comer com prazer, alegria, satisfação.

Imagine-se no seu restaurante preferido, com fome e pedindo aquele prato que você mais gosta de comer na vida. Linda cena. Mas aí você começa a pensar que disseram que você não deveria comer aquilo. Esse pensamento não te impede de comer, mas te impede de saborear, aproveitar, comer com prazer de verdade. Você acaba comendo rápido, pra acabar logo com o conflito e vai embora pra casa o mais rápido possível e passa o resto da noite sentindo culpa e vergonha por ter comido.

Mas e se você se permitisse comer com prazer?

Saborear cada garfada, prestar atenção ao que tanto te agrada naquela comida?

Como seria sua vida se você pudesse comer sem culpa?

Se você já fez dieta na vida, consigo imaginar os seus olhinhos brilhando ao mesmo tempo que sua mente diz que isso é impossível.

Pra quem vive de dieta, como eu vivia, comer é um prazer com sabor amargo de culpa. Como se, se você quer emagrecer, você não tem permissão de saborear comida e pessoas que querem emagrecer deveriam sentir vergonha do próprio corpo. Pessoas que querem emagrecer devem comer peito de frango seco sem pele e salada sem molho – e não uma comida gostosa, claro. Existe uma crença de que pessoas que estão acima do peso não tem permissão social para curtir a comida, que merecem é comer comida com gosto de nada.

Isso é verdade? Não, claro que não é. E temos que mudar esse pensamento. Primeiro eu e você, dentro das nossas cabecinhas e depois o muuuundo todo!

Eu era viciada em comida porque eu não podia comer. Lembro de sentir vontade de comer um chocolate. Um pedaço pequeno já iria me satisfazer, mas como eu não podia, eu comia uma fruta. Eu mal tinha terminado de comer a fruta e já atacava uma barrinha de cereal. Não satisfeita, dali trinta minutinhos já abria a geladeira e tomava um iogurte light.

Nada disso é fome. Chamam isso de ansiedade, eu chamo de compulsão alimentar como resultado de muita restrição. Antes eu comesse o tal chocolate e parasse de pensar em comida para então me preocupar com coisas que realmente importam. Viver, por exemplo.

Eu tenho conhecido tanta gente (!!) que já emagreceu mas volta a engordar o mesmo tanto e às vezes até um pouco mais. Tantas outras que já perderam muito peso e se mantém sem ele, mas com muito sacrifício, privação e sofrimento. Que sentem uma frustração e uma infelicidade enormes, que mesmo que se livrem de um peso físico visível, nunca eliminam um peso no coração. Aquele peso da culpa, da vergonha e do medo de nunca se livrar da obsessão por comida e pelo corpo.

Eu vivi isso e sei como é. Por isso hoje eu quero usar tudo que eu senti para ajudar outras mulheres a entender que nós somos muito mais do que nossos corpos e viver é muito mais do que fazer dieta. E mesmo que você duvide, você é linda sempre, não pelo tamanho da sua barriga, mas pela luz que existe dentro de você e talvez você não mostre porque está preocupada demais pensando no lanchinho que você tem que comer daqui três horas.

Nessa aventura, eu aprendi que:

  • não preciso comer a cada três horas;

  • é possível amar meu corpo do jeitinho que ele é;

  • passo horas sem sequer pensar em comida;

  • que eu passei anos confundindo sede e sono com fome;

  • confiar no meu corpo é muito mais incrível do que seguir qualquer plano alimentar;

  • que eu posso tomar suco de laranja sempre que eu quiser! <3

  • ninguém sabe o que é melhor pra mim porque eu me conheço mais do que qualquer pessoa no mundo.

  • o corpo se autorregula e sabe muito mais do minha mente;

Hoje eu como o que eu quero, na hora e quantidade que meu corpo pede. Tem dias que ele só quer coisas leves. Outros quer pão, macarrão e bolo. Mas na maioria das vezes ele quer equilíbrio. Eu descobri quais alimentos me fazem bem e às vezes a escolha de não comer algo é muito melhor do que o prazer de comer, simplesmente porque eu sei o que é melhor para meu corpo e como vou me sentir ao comer. Quando a comida deixou de ser o maior problema da minha vida, emagrecer foi consequência.

Todos os dias quando acordo, eu escolho não fazer dieta, eu escolho viver, eu escolho o amor e busco minha verdade. E convido você a fazer o mesmo daqui pra frente.

Participe da discussão

1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *